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Dicas e Curiosidades

Auto Peças em Luís Eduardo Magalhães

Fonte: http://www.omecanico.com.br

Como executar esse serviço tão necessário e fundamental numa retífica de motor, observando sempre os cuidados ao manusear a peça e o maquinário específico para uma recuperação de qualidade.

Irene S. Câmara

Árvore de manivela, girabrequim, árvore de cambota etc, são alguns dos vários nomes do popular virabrequim, originário do francês virebrequim. É um componente que faz os êmbolos trabalharem alternadamente dentro do motor. Seja como for, vamos verificar como fazer a checagem do estado da peça, sua retífica, transporte, polimento e armazenagem, como é executado na retífica Motor-Vidro.


Ao desmontar um motor, peças retificáveis como bloco, cabeçote, bielas, comando de válvulas e virabrequim, precisam de uma revisão visual, cujo parecer deverá ser anotado em fichas individuais e realizados alguns testes para saber seus estados reais. Depois, inicia-se o procedimento para os devidos reparos, nesse caso, vamos dar continuidade com o virabrequim.

Sua retífica exige atenção especial, pois mesmo que os colos apresentem uma superfície lisa, ao se efetuarem as medições nas diferentes regiões da peça, percebe-se que houve desgaste em forma de ovalização ou conicidade. Alguns eixos apresentam sua superfície riscada ou com fissuras, evidenciando a necessidade de retífica para a primeira ou segunda sub-medidas.

Passo a passo

- Teste na MagnaFlux

Após passar por essa análise visual, o virabrequim vai para a máquina chamada MagnaFlux para verificar se há trincas. Esse processo consiste em magnetizar o eixo e espalhar sobre ele um líquido contendo partículas ou pó de ferro. As partículas se depositam sobre as trincas tornando-as visíveis sob ação de luz negra. A profundidade da trinca pode ser avaliada pela quantidade de partículas depositadas sobre ela, influindo na intensidade do campo. (foto 1)

Em caso positivo, a peça será condenada, o contrário ela sai direto para a análise de metrologia, ou seja, conferir as medidas na bancada. 

Com um micrômetro mede-se o desgaste dos colos para saber quanto deverá ser usinado. As medidas são: standard 0,25mm ou 0,50mm; 075mm e o máximo de l,00 mm. Em motores pesados são utilizadas as duas primeiras medidas.

Depois, mede-se com um cálibre o raio de concordância para saber se estão dentro das especificações do fabricante. Esse procedimento exige muita atenção. Uma medida errada compromete a peça.  Para fazer o raio especificado no rebolo, ou pedra (de arenito), utiliza-se um dispositivo próprio com ponta diamantada. Nunca desprezar esse procedimento, pois ele é vital para o sucesso da retífica.

O alinhamento é executado tendo como referência os colos dos mancais centrais. 

Apoiando-se o eixo entre pontos e fazendo-o girar, pode-se determinar o alinhamento por meio de um relógio que, colocado na bancada da máquina, verifica colo por colo. (foto 2)

Para maior precisão inicia-se a inspeção pelos colos centrais e depois, vai para as extremidades. Caso o mesmo apresente empenamento, proceder a operação de alinhamento com ferramentas especiais e banco com prisma. 

Atenção: checar também o alojamento da bucha, o rolamento do eixo piloto, o rasgo de chaveta e a rosca de fixação da polia.

- Máquina de retífica, com deslocamento

Após passar pela MagnaFlux e alinhamento, colocar o virabrequim na máquina de retífica, definindo o rebolo adequado para aquele tipo de virabrequim, e anexar o relógio comparador para centralizar o eixo, controlando a oscilação e garantindo uma perfeita usinagem. (foto 3)

Iniciar a retífica do colo e ficar atento para que a pedra não encoste nas laterais do virabrequim, a fim de que seja mantida a folga axial. Durante o processo deve-se ir medindo o raio de concordância até chegar na medida especificada.
 
Evitar contato manual ou batidas com as partes retificadas, para evitar oxidação ou danos.

- Máquina de balanceamento eletromecânica

Depois de retificados os colos dos mancais e bielas, o virabrequim segue para o balanceamento do eixo, transportado em carrinho próprio para isso. Colocar na máquina de balancear, sem o volante. (foto5)
Colocar os contra-pesos para iniciar o balanceamento.

 

 

 

No painel colorido observa-se um lado de cada vez para fazer a marcação. As cores do painel já indicam a posição do desbalanceamento, onde está e quanto é o desajuste, como mostra o retificador Adeilson Rodrigues dos Montes. (foto 6)

 

Marcar no contra-peso, com um giz, para saber onde tem que furar para reduzir massa. Num balanceamento de virabrequim, nunca se coloca peso, mas sim, retira massa da parte contrária, com uma furadeira. (foto 7)

 

 

 

Depois de balancear o eixo do virabrequim, coloca-se o volante, que antes também foi examinado, para saber se há trincas, dentes faltando na cremalheira ou qualquer outro dano. A cremalheira danificada deverá ser trocada. (foto 8)

 

Encaixar o relógio comparador no volante para verificar possível empenamento. Caso esteja empenado, faz-se uma usinagem na face do assentamento do volante. A tolerância máxima é de 1 décimo. Em seguida, faz-se o balanceamento total. O mesmo procedimento deve ser feito com a polia de tracionamento das correias. (foto 9)

 

 

- Máquina de Polir

Retirar o virabrequim da balanceadora com cuidado, e levar para a parte final que é o polimento. Na máquina de polir, prenda-o pelas pontas, sem apertar para que não deforme. Aplicar a pasta de polir no rebolo de feltro, em movimento de rotação. Depois, colocar o eixo do virabrequim em rotação, ao contrário do rebolo de feltro, e proceder ao polimento uniforme sobre toda a superfície dos colos, deixando-a totalmente espelhada. (foto 10)

Após o polimento, a peça deverá ser armazenada em pé. Caso esteja no chão, toma-se cuidado para não derrubá-la, pois além de ser contaminada, poderá causar um acidente, afirma Marcelo Luis da Silva, encarregado da retífica. Se for ficar armazenada por longo período é bom que seja aplicado um óleo (rustilo) para proteção.

Por último, ao colocar o eixo no bloco, o mesmo obrigatoriamente terá que passar por um processo de lavagem fina. Escovar os orifícios de lubrificação e sacar todos os selos existentes de fim de curso das galerias, para ser possível a limpeza desejada. Reinstalar os selos e conferir todos os  torques dos parafusos dos contra-pesos.

O que não se deve fazer numa retífica de virabrequim

- Nunca armazenar a peça deitada e sim em pé ou pendurada no estilo morcego
- Não colocar a mão na parte retificada, nem bater
- Não transportar sem o carrinho apropriado
- Não armazenar por período prolongado sem o banho de óleo protetivo
- Não encostar na lateral do colo do mancal ou biela, quando da usinagem

 

 



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